terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Blog da Sagrada Família: A ESPECIAL DEVOÇÃO DO PADRE PIO A SÃO MIGUEL

Blog da Sagrada Família: A ESPECIAL DEVOÇÃO DO PADRE PIO A SÃO MIGUEL: Entrevista com Vincenzo Comodo, produtor da exposição fotográfica itinerante Roma ( ZENIT.org ) - Nos últimos dois anos, as regiões da Itál...
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Entrevista com Vincenzo Comodo, produtor da exposição fotográfica itinerante
Roma (
ZENIT.org) - Nos últimos dois anos, as regiões da Itália vêm recebendo a exposição itinerante A devoção especial do Padre Pio a São Miguel Arcanjo, realizada por Vincenzo Comodo, professor de Sociologia no Pontifício Ateneu Regina Apostolorum, de Roma. Inaugurada em setembro de 2010 na Igreja de São Pio em San Giovanni Rotondo, a mostra seguiu para a Celeste Basílica de Monte Sant'Angelo e depois para os vários conventos onde o Padre Pio se formou como consagrado.
ZENIT entrevistou o idealizador da exposição.
Professor Comodo, o que o levou a criar esta exposição fotográfica?
Comodo: Nós conhecemos o relacionamento extraordinário que o padre Pio tinha com os anjos. Em particular com o anjo da guarda. Ele recomendava para os seus devotos recorrer sempre a esse espírito celestial, não só nos momentos mais escuros da peregrinação terrena, mas sempre mesmo, fazendo dele um companheiro querido e fiel. Mas é menos conhecida a devoção ardente que ele tinha pelo Príncipe dos Anjos, São Miguel. Uma devoção que, durante a vida dele, assumiu os contornos de uma relação muito especial. Alguns aspectos são mais claros, outros ainda estão envoltos em segredos. Esta mostra foi projetada e criada para resgatar essa ligação extraordinária entre o padre Pio e o Comandante Supremo do Exército de Deus
Por que o padre Pio era tão profundamente devoto de São Miguel?Comodo: Basicamente porque, desde criança, o padre Pio se beneficiou da sua companhia. Porque na luta contra Satanás e o seu exército do mal, ele sempre recebeu a ajuda de São Miguel, que era o guia dele para anunciar a verdade do Ressuscitado e para desmascarar a mentira, que o diabo está sempre espalhando pelo mundo para a destruição das almas. Por estas razões, ele queria que o arcanjo fosse conhecido como uma expressão do amor infinito de Deus, um exemplo superlativo de fé absoluta no Todo-Poderoso, especialmente para os seus devotos e filhos espirituais. Queria que todos pedissem a proteção do arcanjo vigilante e poderoso contra os enganos e as tentações de Satanás, que está sempre à espreita de todos. Ele queria que as pessoas se voltassem para São Miguel como um intercessor poderoso diante de Deus. Não por acaso, a gruta sagrada de Monte Sant'Angelo foi visitada por nobres, cavaleiros, reis, príncipes, cardeais da Igreja Católica Romana. Alguns se tornaram sucessores de Pedro no trono papal, como o inesquecível João Paulo II. E santos, como São Francisco de Assis e o padre Pio. Multidões de pessoas consagradas e simples peregrinos vão até ali para implorar graças e bênçãos.
Como é a mostra?
Comodo: A mostra é composta de várias telas que representam a presença de São Miguel Arcanjo na vida do padre Pio, desde a infância, com os testemunhos mais importantes de alguns dos seus filhos espirituais, que mostram sinais desta devoção tão especial. Por exemplo, os sinais que estão na Casa Sollievo della Sofferenza [Alívio do Sofrimento] e na igreja de Santa Maria delle Grazie, em San Giovanni Rotondo. Cada tela tem uma imagem acompanhada de uma legenda, para reforçar a mensagem através da combinação de imagem e texto. Falando a linguagem do coração. Esta iniciativa artística é uma grande oportunidade para aprendermos sobre este aspecto fundamental da espiritualidade do padre Pio, desconhecido para tanta gente, mas que o nosso santo capuchinho prezava muito. Tanto que o padre Pio costumava dizer para todos os seus devotos: "Vão cumprimentar São Miguel e se colocar sob a proteção dele".O itinerário da exposição pode ser acompanhado pelo site www.padrepioesanmichelearcangelo.org (em italiano, inglês e espanhol) e no grupo do Facebook La speciale devozione di Padre Pio per San Michele Arcangelo (em italiano).

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O incrível Mont Saint Michel (Transcrição)

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Mont Saint Michel é uma vila francesa da Normandia (a 360km de Paris), localizada em um pequeno morro, onde foi construída uma abadia dedicada a São Miguel Arcanjo. (Diz a lenda que o próprio São Miguel Arcanjo solicitou ao Bispo de Avranches a construção de uma pequena igreja neste local, no ano 708. No topo da abadia, há uma estátua do São Miguel Arcanjo matando o dragão, que simboliza o Mal. Saint Michel é São Miguel em francês. Curiosamente, durante a Revolução Francesa, o Mont Saint-Michel perdeu o seu contexto religioso e se tornou uma prisão até 1863. Em 1979, foi declarado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco). 
A beleza do local é inquestionável. Vemos por ali um encantador vilarejo medieval, todo murado, com a abadia bem no topo, completando o lindo visual.
Mont Saint Michel
Mas o que torna o Mont Saint Michel tão interessante e tão procurado pelos turistas vai além de sua história e arquitetura: é, na verdade, uma grande força da natureza. Por lá, a subida da maré é tão rápida e intensa que o monte fica ilhado em questão de pouco mais de uma hora. A subida da maré é como uma atração local, e muitos viajantes param para ver as águas chegando até as muralhas da vila.
Nós estivemos por lá em 2011, em janeiro, em pleno inverno francês. Fizemos um bate-e-volta de dois dias desde Paris, com um carro alugado. O local continuou lindo e impressionante, mas pegamos chuva, nuvens e um dia tão nublado que atrapalhou bastante o passeio. Nossa primeira dica é que evite ir até lá com o tempo instável, para aproveitar melhor o que Mont Saint Michel tem a oferecer.
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Fonte:http://migre.me/oILe1

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Povoado de fantasmas (Transcrição da Revista Brasileiros)

    
A história de Cemitério do Peixe, vilarejo no interior de Minas Gerais que celebra a devoção às almas e conta apenas com dois habitantes (texto Luiz Henrique Gurgel fotos Manoel Marques 25/11/2011 12:57, atualizada às 01/12/2012 14:32 )    
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                  Quem chega à noite ao Cemitério do Peixe na região do Alto Jequitinhonha, sertão de Minas Gerais, se espanta com a primeira visão do lugar. Do alto de uma estradinha de terra vê-se o vilarejo iluminado, com uma capela e um cemitério ao centro, cercado por 200 casinhas brancas de telhado baixo espalhadas por vielas de chão batido. Ao percorrê-las, porém, não se encontra vivalma. O silêncio é tal, que a única coisa que se ouve – além do vento nas folhas – é o som dos próprios passos. Quem se atreve a bater nas casas à procura de alguém pode ter um espanto ainda maior, vai encontrá-las vazias, de gente e de móveis, algumas com portas e janelas abertas. Se depois disso souber que a capela e o cemitério são dedicados a São Miguel e às Almas, na certa, ficará arrepiado.
Carlota de Oliveira Brandão, a dona Lotinha, e seu filho Zezinho, únicos moradores fixos e vivos do lugar, nos receberam naquela noite fria de Lua Cheia. Fomos instalados na casa em que ficam os padres quando vão rezar missa por lá. Lotinha tem 61 anos, todos vividos ali. Jamais quis deixar a terra onde nasceu, se casou, teve filhos, enviuvou e pretende findar seus dias. Até perder o marido, há 18 anos, ganhava a vida em um pequeno sítio na vizinhança do Peixe. Depois, mudou-se para uma casa construída dentro do arraial. Ela teve nove filhos – oito foram embora em busca de trabalho noutras paragens. Só ficou Zezinho, de 26 anos, que tem problemas de fala por conta de complicações no parto, e ajuda a mãe a cuidar das galinhas e da horta. Atualmente, Lotinha sobrevive prestando serviços domésticos em uma fazenda nas proximidades.  [nggallery id=14792]
Localizado em um dos extremos do município de Conceição do Mato Dentro, a cerca de 270 km de Belo Horizonte, Cemitério do Peixe lembra uma vila fantasma.
Mas isso não assusta dona Lotinha. “Aqui não tem alma perdida nem achada”, faz questão de falar, sem perder o humor. “Já me perguntaram se eu não vi morto por aqui. É claro que eu vi, uai! Eu moro do lado do cemitério, já vi muito enterro”, diz, antes de soltar uma risada.
Depois, mais séria, afirma: “Nunca tive medo de nada, nada, nada”, prolonga, convicta, a frase. Lotinha está enraizada no Peixe. Até onde sabe, seus tataravós já viviam naquela região e todos os seus antepassados, além do marido, estão sepultados no cemitério.
Durante 11 meses do ano, o povoado conta apenas com a presença de Lotinha, seu filho, seus nove cães, de moradores das redondezas e das visitas eventuais de parentes dos mortos enterrados ali. O contingente aumenta em duas celebrações religiosas: Dia de Finados, 2 de novembro, e na data dedicada ao padroeiro São Miguel, 29 de setembro. Mas é na festa centenária do Jubileu de São Miguel e das Almas, na semana de 15 de agosto, que a paz do Cemitério do Peixe é quebrada com a presença de cinco mil pessoas.Há muitas histórias e causos misteriosos acerca do lugarejo, inclusive que ajudaram a batizá-lo. A mais conhecida data de meados do século 19. Soldados teriam morrido de intoxicação de peixe estragado, dando origem ao cemitério – daí o nome Cemitério do Peixe. De fato, existem ruínas de um “quartel”, nome dado pelos moradores da região, provável vestígio do antigo registro de Paraúna, espécie de posto alfandegário construído no século 18 e que fazia o controle de entrada e saída da Demarcação Diamantina, a área de mineração do Tejuco, atual cidade de Diamantina, que fica a 70 km dali.
Talvez por isso exista outra versão, relacionada aos diamantes, sobre o nome da localidade. Um escravo, conhecido por Peixe, teria fugido de seu dono levando a pedra valiosa. O português foi atrás e o encontrou morto com o diamante nas mãos, onde hoje está localizado o cemitério. Também há a história do missionário, apelidado Padre Peixe, que viajava a cavalo e ali adoeceu, morreu e foi sepultado. Todas as mortes – dos soldados, do escravo e do missionário – teriam ocorrido no fatídico dia 15 de agosto.
Há relatos de romarias e missas praticadas ali, nessa data, desde 1887. A devoção às almas, antiga tradição das Minas Gerais, encontrou local apropriado, já que os romeiros também passaram a enterrar parentes e a desejar ter ali sua morada final. A capela sob invocação de São Miguel – arcanjo defensor das almas do purgatório – foi erguida no final do século. Em 1912, o fazendeiro proprietário da área, Antonio Francisco Pinto, o Canequinho, resolveu apadrinhar a festa sagrada e doou as terras para as almas, deixando cemitério e capela sob responsabilidade dos padres redentoristas da cidade de Curvelo, localizada a 50 km dali.
Como as festividades duravam uma semana e os romeiros vinham de longe, erguiam-se ranchos e, depois, casinhas caiadas de branco, que até hoje são passadas de pais para filhos e ocupadas pelas famílias apenas durante os dias da festa. Assim foi constituído o vilarejo que nunca teve habitantes fixos – exceto dona Lotinha e Zezinho. Não há nenhuma atividade econômica relevante, que empregue muita gente por lá. Só pequenos sitiantes e fazendeiros nas redondezas que vivem do gado e de roçados. Ou seja, um lugarejo com poucas perspectivas. Mesmo só com dois moradores, a eletricidade funciona o ano todo.
Uma vez por ano, nas semanas que antecedem o jubileu, os romeiros e suas famílias vêm preparar as casas para o grande evento: limpam, cortam o mato, pintam paredes e até constroem novos cômodos para receber mais gente. É o caso de Belosina Pinto Ribeiro, 70 anos, que veio a pé com a família de Capitão Felizardo, vila vizinha do cemitério a cerca de 10 km. Em uma roda em volta da fogueira, ela conta que frequenta a festa desde criança e hoje traz marido, filhos e netos.
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